
depois conto-vos a estória...
hoje é dia de comemorações!





numa piscina destas, quem resiste a um mergulho?...
Mas só se forem regadas com aquela que foi a
Neste local, para fazer bem a digestão,
ninõs terribeles, o comando é meo...
... dão conta da paciência a qualquer um!
A estada neste "resort", não se resumiu só a:
Para terminar este registo das férias 08
A Mulher
O ser que é, para a maior parte dos homens, a fonte das mais vivas, e diga-se mesmo, para vergonha das voluptuosidades filosóficas, dos mais duradouros prazeres; o ser para quem ou em proveito de quem se dirigem todos os seus esforços; esse ser terrível e incomunicável como Deus (com a diferença de que o infinito não se comunica porque cegaria e esmagaria o finito, enquanto o ser de que falamos é talvez apenas imcompreensível porque não tem nada para comunicar), esse ser em que Joseph de Maistre via um belo animal, cujas graças alegravam e tornavam mais fácil o jogo sério da política; para quem, mas sobretudo por quem, os artistas e os poetas compõem as suas mais delicadas jóias; de quem advêm os prazeres mais enervantes e as dores mais fecundas, a mulher, numa palavra, não é apenas para o artista em geral, a fêmea do homem.É antes uma divindade, um astro, que preside a todas as concepções do cérebro macho; é um reflexo de todas as graças da natureza condensadas num só ser; é o objecto da admiração e da curiosidade mais viva que o quadro da vida pode oferecer ao contemplador. É uma espécie de ídolo estúpido, talvez, mas resplendoroso, encantador, que detém os destinos e as vontades suspensas pelo seu olhar.
(…) De nada nos serve aqui Winckleman ou Rafael. Tudo aquilo que ornamenta a mulher, tudo o que serve para ilustrar a sua beleza, faz parte dela mesma; e os artistas que se dedicaram particularmente ao estudo deste ser enigmático, apaixonaram-se tanto pelo mundus muliebris, quanto pela própria mulher.
A mulher é sem dúvida uma luz, um olhar, um convite à felicidade, uma palavra por vezes; mas ela é sobretudo uma harmonia geral, não apenas na sua compleição e no movimento dos seus membros, mas também nas musselinas, nas gazes, na vasta e cintilante profusão de tecidos com que se envolve, e que são como que atributos e o pedestal da sua divindade; no metal e no mineral que serpenteiam em torno dos seus braços e do seu pescoço, que juntam as suas centelhas ao fogo dos seus olhares, ou que brilham docemente nas suas orelhas.in, BAUDELAIRE, Charles, O Pintor da Vida Moderna, cap. X, 1863